Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável não são sinónimos

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A sustentabilidade

No meu percurso académico, o tema da sustentabilidade sempre este presente em matérias de estudo, incutido por diversos professores, principalmente na minha licenciatura em Design de Moda. Sempre fui uma pessoa interessada neste tema. E, por isso mesmo, quando decidi realizar a dissertação de Mestrado, escolhi Sustentabilidade como um dos temas de estudo, para conseguir adquirir um melhor conhecimento nesta temática.

Assim vou falar um pouco sobre a evolução da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável e quais o seus significados.

Atualmente, fazemos uso do conceito de desenvolvimento sustentável tanto numa perspetiva mais individual, como numa perspetiva global. É um conceito universal, proposto pelas Nações Unidas com o intuito de que a sua aplicação prática abranja um ideal de equilíbrio entre crescimento económico, proteção ambiental e equidade social, traduzindo-se em ações benéficas e de preservação e inovação por ação humana, que resulte em sustentabilidade ambiental, social e económica.

O conceito de sustentabilidade é resultado da reflexão e da consciencialização que, enquanto sociedade global, fazemos das nossas ações negativas sobre o Meio Ambiente e surge como uma promessa de alteração dos nossos comportamentos, com resoluções benéficas que pretendemos para a preservação do Meio Ambiente e para o bem-estar das gerações futuras.

É um conceito que tem tido uma evolução contínua e que ocupa um lugar de destaque na Ciência, devido às tentativas de resolução de problemas que decorrem da ação humana, surgindo, nessa medida, como um ponto de partida para a inovação de tecnologias e para novas práticas de design (como a ecoeficiência, o ciclo de vida dos produtos, entre outras) que começam a ser parte integrante das estratégias adotadas pelas empresas.

De facto, a sustentabilidade é um conceito com múltiplos significados e que opera em várias áreas.

Os esforços para um futuro melhor resultaram numa junção dos conceitos de desenvolvimento e de sustentabilidade, daí resultando um outro conceito de que importa falarmos, o de desenvolvimento sustentável, o qual, ao procurar uma interdependência efetiva e equilibrada entre Meio Ambiente, economia e sociedade, originou uma nova perspetiva do conceito de sustentabilidade, dividindo-o em sustentabilidade ambiental, económica e social.

O conceito de sustentabilidade nasce da necessidade global de construir um caminho para recuperar o que foi destruído por ação humana sobre a Natureza, surgindo, assim, uma consciência humana, principalmente numa Europa ferida, em recuperação no pós-guerra, e consciente de que os recursos naturais, após anos de consumo frenético, poderiam acabar.

Surge a necessidade de encontrar um caminho, a procura da sustentabilidade, um conjunto de ações humanas com vista a recuperação do Meio Ambiente, de estratégias benéficas e necessárias para uma sustentabilidade do planeta e da vida das populações presentes e futuras.

Enquadramento histórico

Foi na década de 1970 que a Humanidade começou a aperceber-se de que os recursos naturais são limitados, chegando a haver a possibilidade de, em inúmeros casos, não serem renováveis. Em 1972, foi feito um primeiro alerta para esta realidade pelo Clube de Roma — uma associação de cientistas, políticos e empresários de várias nacionalidades preocupados com algumas questões ambientais —, tendo-se realizado diversos estudos; dos encontros do Clube de Roma, surgiu um mundialmente conhecido relatório: The limits to growth. Desta forma, surgiu uma consciencialização por parte das sociedades, não apenas em áreas científicas, mas também através de reuniões de caráter político e social, realizadas pelas Nações Unidas, bem como através do surgimento dos primeiros grupos ou organizações não-governamentais (ONGs), todos com um objetivo comum, o de encontrar soluções viáveis de sustentabilidade para o planeta.

Nesse mesmo ano de 1972, realizou-se, em Estocolmo, na Suécia, a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, onde se registaram as primeiras discussões sobre desenvolvimento sustentável com países desenvolvidos de um lado e países em desenvolvimento do outro. Muito sucintamente, os países desenvolvidos defendiam então que era necessário limitar o desenvolvimento económico nos países em desenvolvimento por forma a limitar o uso excessivo dos recursos naturais, e divulgaram as restrições do modelo por eles adotado. Em contramão, os países em desenvolvimento afirmaram que a sua maior poluição para o Meio Ambiente era a pobreza e defendiam o desenvolvimento a qualquer custo.

Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável não são sinónimos

Se sustentabilidade tem um significado amplo — a capacidade de manter e suportar, que visa estabelecer o equilíbrio entre a Natureza e os recursos que esta nos oferece —, já desenvolvimento sustentável tem como objetivo preservar os ecossistemas e agrega necessidades económicas, sociais e ambientais. Desta forma, o desenvolvimento sustentável resulta num conjunto de ações e estratégias necessárias e praticadas a longo prazo, sem comprometer as gerações futuras, para atingir as metas de sustentabilidade desejadas e necessárias ao nosso presente, mas não suficiente e se qualquer um dos princípios não for apoiado, o desenvolvimento sustentável.

O conceito de sustentabilidade só é efetivamente adotado no encontro internacional de 1980 The World Conservation Strategy (IUCN, 1980). Em 1983, é criada, pelas Nações Unidas, a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (C.M.M.A.D.) e, já em 1987, foi formalizado o documento intitulado Our Common Future, também conhecido como Relatório de Brundtland, em homenagem a Gro Harlem Brundtland, antiga primeira- ministra norueguesa ex-diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), no qual se faz uso da expressão desenvolvimento sustentável pela primeira vez: “Sustainable development is development that meets the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs. (World Commission on Environment and Development, 1987). Ou seja, o desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento económico, social e cultural das sociedades, conjuntamente com a saúde e o conhecimento, conseguido sem esgotar, mas, antes, preservando os recursos naturais do planeta.

Em 1992, tem lugar a Eco ‘92, no Rio de Janeiro, Brasil, uma conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (C.N.U.M.A.D.), a qual também contribuiu para a expansão do conceito de sustentabilidade. Nesta conferência, defendeu-se que o desenvolvimento sustentável deveria ser um princípio e que dever-se-ia construir uma estratégia global para a proteção do Meio Ambiente. Dois dos resultados desta conferência foram a Declaração do Rio sobre o Ambiente e o Desenvolvimento e a Agenda 21, um documento que se revelou uma tomada de consciência do pensamento da Humanidade perante o que é o desenvolvimento sustentável.  A Agenda 21 organiza-se em quatro categorias principais: a das questões sociais e económicas; a da conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento; a do reforço do papel dos grupos com importância estratégica; e a dos meios para a implementação.

No seguimento das decisões resultantes da Eco 92, a Organização das Nações Unidas (O.N.U.) criou a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (C.D.S.). Procurando dar continuidade aos compromissos da Agenda 21 e por, até então, não se terem obtido progressos promissores e significativos, em 2002, realizou-se a Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, em Joanesburgo, África do Sul.

Procurando a renovação do compromisso para com um desenvolvimento sustentável, em 2012, realizou-se, no Rio de Janeiro, Brasil, a conferência da O.N.U. sobre desenvolvimento sustentável. A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável foram os temas centrais desta conferência. 

O que podemos fazer?

E no ano 2015 a Assembleia Geral das Nações Unidas, instituiu quais os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), documento conhecido como Agenda 2030. Nos quais são 17 objetivos:

  1. Erradicação da pobreza;
  2. Erradicar a Fome
  3. Saude e Qualidade
  4. Educação e Qualidade
  5. Igualdade de Género
  6. Água Potável e Saneamento
  7. Energias Renováveis e Acessíveis
  8. Trabalho Digno e Crescimento Económico
  9. Industria, Inovação e Infraestruturas
  10. Reduzir as Desigualdades
  11. Cidade e Comunidades Sustentáveis
  12. Produção e Consumo Sustentáveis
  13. Ação Climática
  14. Proteger a Vida Marinha
  15. Proteger a vida Terrestre
  16. Paz, Justiça e Instituições Eficazes
  17. Parcerias para a Implementação dos Objetivos

Se chegaram até esta parte do artigo, é porque a Sustentabilidade vos interessa de alguma forma.

Assim, para que consigamos chegar à sustentabilidade, necessitamos de transformar os hábitos no nosso quotidiano, de parar um pouco e pensar sobre nossas escolhas diárias.

O que comemos? Qual a origem dos alimentos que comemos? O que vestimos? E com que frequência compramos? Como é que nos deslocamos? Com quem nos relacionamos? Qual é o nosso objetivo de vida?

Os ODS são objetivos, de fácil entendimento, a questão é conseguir executá-los. Obviamente, não é esperado que uma pessoa individual consiga erradicar a pobreza ou a fome, mas cada um de nós de forma individual tem um impacto para chegar a este fim,  para que se consiga preservar o nosso planeta e tornar a nossa sociedade mais sustentável, tanto a nível social, económico como ambiental. Nós, como seres humanos, temos o dever de ser mais solidários.

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